terça-feira, 8 de junho de 2021
Leiam meu artigo amanhã no jornal Guarulhos Hoje
Todas as quartas-feiras escrevo para o jornal Guarulhos Hoje, tradicional impresso em Guarulhos. O texto é publicado sempre na página dois, e também republicado em nosso site (www.metalurgico.org.br).
Amanhã escrevo sobre "A questão salarial" no País. Não deixe de ler.
quarta-feira, 2 de junho de 2021
Contra a Cova América!
O governo tenta trazer a Copa América para o Brasil. O início seria dia 13 de junho. Além da seleção nacional, participariam Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Peru, Equador e Venezuela. Times e delegações.
Porém, devido ao avanço da Covid-19 e da baixa vacinação, a notícia da Copa gerou protestos e forte reação nas redes sociais.
Ninguém nega a importância do futebol ou desconhece o poder econômico da Conmebol e CBF. Mas seria imprudente realizar jogos em meio à pandemia. O jornalista Juca Kfouri chama o evento de “Cova América”. Em sua coluna na Folha de S. Paulo, terça, ele lembra que, por diversas razões, Argentina, Colômbia e Estados Unidos recusaram o evento.
Na mesma data em que o governo mostrava alegria por sediar a Copa, o Brasil chegava à marca de 462.966 mortos pela Covid-19. Uma das razões é porque a vacinação está atrasada. Na segunda-feira, apenas 21,5% dos brasileiros haviam recebido a primeira dose da vacina. Com segunda dose, eram só 10,4%.
Semana passada, o IBGE mostrou que o desemprego chega a 14,8%, o maior da série histórica. Além disso, o mercado de trabalho está devastado e surge uma nova categoria de trabalhadores: os subutilizados.
Segundo o IBGE, eram 33,2 milhões no primeiro trimestre do ano. E quem são eles? São os desempregados, os subocupados, que trabalham menos de 40 horas semanais, e a força de trabalho potencial - gente que gostaria de trabalhar, mas sequer buscou vagas ou não tinha condições de preenchê-las.
No sábado, 29, milhares de brasileiros protestaram em quase 300 munícipios, cobrando vacinação em massa, Auxílio Emergencial de R$ 600,00 e respeito à vida. Há um forte descontentamento popular ante a situação nacional e ao descaso do presidente Bolsonaro.
Sindicalismo - Dia 26, as Centrais foram à Brasília entregar ao Congresso uma pauta urgente, por aumento do Auxílio Emergencial pra R$ 600,00 e ampliar os beneficiados; extensão do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda; e excluir do teto de gastos os itens educação, saúde e segurança.
Ao mesmo tempo, centenas de entidades sindicais fazem campanha de arrecadação de alimentos, a fim de ajudar famílias afetadas pelo desemprego ou a pandemia.
Estamos preocupados com o emprego, a vacina, a fome e a vida. O futebol pode esperar.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Homenageamos Heróis da Saúde do Hospital Bom Clima
Na noite desta quinta (27), ao lado do vice Josinaldo (Cabeça) tive a honra de homenagear médicos e diretores do Hospital Bom Clima. É mais uma ação que celebra o nosso aniversário de 58 anos.
É uma homenagem de coração. O esforço desses profissionais em prol da saúde do povo merece não só a Medalha, mas a nossa profunda gratidão. Eles têm lutado para combater a Covid-19 e têm dado o sangue pela vida das pessoas.
Agradeço ao gerente-médico do Hospital, Dr. Osorobal, pela nossa parceria que já dura 24 meses e por ter indicado grandes profissionais na homenagem.
Homenageados - Os kits contêm camiseta comemorativa de 58 anos, Medalha e cartão. Receberam: Fábio Farinelli (diretor-comercial), dr. Osorobal C. Oliveira (gerente-médico), Arlete Arizza (gerente de enfermagem), Érica Terra) diretora-administrativa), Susana Mayra Terra (gerente-geral) e dr. Fernando Maccheronio (diretor-médico).
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Indústria e Progresso
Ontem foi o Dia da Indústria. A data é importante, mas temos pouco a comemorar.
Em 1947, nossa indústria participava do Produto Interno Bruto com 11,3%. Em 1985, chegamos a 27,2%. Já em 2019, decaiu pra apenas 9,3% do PIB.
Esses dados são da Fiesp. Aliás, segundo a própria Fiesp, os países que conseguiram dobrar a renda per capita pra 20 mil dólares tinham em comum uma participação industrial no PIB da ordem de 20%.
No início do segundo governo Lula, o emprego industrial havia crescido bastante. Na metalurgia, saímos de 1.334.856 empregos pra 1.668.540.
Saldo de 333.684 postos de trabalho. Nos estaleiros, o País havia saltado de 5 mil pra 42,5 mil empregos.
Se voltarmos nas décadas, veremos ondas de crescimento na década de 80 e nos governos Juscelino e Getúlio. Com JK, tivemos a modernização industrial iniciada por Getúlio. Com a força da Revolução de 30, ele havia conseguido lançar as bases da indústria nacional.
A questão da indústria transcende a dimensão econômica. Indústria só se desenvolve com vontade política, comando político e parceria entre Estado, setor produtivo e sistema bancário. Sem vontade política, a indústria encolhe e o País perde emprego, massa salarial, mercado interno e soberania.
Neste ponto, os trabalhadores do Sistema S fizeram um documento pra solicitar o fortalecimento da economia da indústria. Porém, o presidente da CNI se negou assinar em conjunto com os trabalhadores. Isso mostra que a representação dos empresários torce pelo fim da indústria, o que é uma situação lamentável.
Outro aspecto importante é a modernização tecnológica. Ao mesmo tempo em que precisa da tecnologia, a indústria ajuda a impulsionar o crescimento tecnológico e este, por sua vez, gera desenvolvimento nacional.
Guarulhos - Já fomos um enorme parque fabril. Mas, por várias razões, perdemos essa condição, quando temos tudo pra ser potência: o maior aeroporto do hemisfério Sul, Rodovias como a Dutra, Fernão Dias e Carvalho Pinto, mão de obra farta, galpões desocupados e ainda muitos terrenos.
Entra prefeito, sai prefeito, não há ações efetivas pró-indústria. Também vejo que eles se isolam, em vez de dialogar com entidades empresariais, de trabalhadores e órgãos como Sesi e Senai.
Roberto Simonsen, que fundou em 1928 o Centro das Indústrias (hoje, Ciesp) e idealizou o Sistema S, ensinou: “A indústria, por toda parte do mundo em que se instala, traz como corolário o aumento dos salários, o barateamento relativo dos produtos, o enriquecimento social e o aumento da capacidade de consumo.”
Suas palavras não perderam a atualidade. Viva a indústria. Viva o trabalhador industrial!
José Pereira dos Santos - Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
E-mail: pereira@metalurgico.org.br
Facebook: www.facebook.com/PereiraMetalurgico
Blog: www.pereirametalurgico.blogspot.com
quinta-feira, 13 de maio de 2021
Justiça para o FGTS
Ultimamente, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ganhou espaço na imprensa. Isso porque o Supremo Tribunal Federal decidiria, dia 13, se a correção do FGTS ficaria atrelada à TR ou se adotaria o INPC ou IPCA, que são mais vantajosos. O julgamento foi adiado.
O Supremo julgará Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo partido Solidariedade, presidido pelo deputado Paulinho da Força. Vale lembrar que nosso Sindicato também moveu ação na Justiça Federal, em nome dos trabalhadores, pleiteando a correção dos saldos.
Tudo no mundo tem uma história. Com o Fundo de Garantia não é diferente. Durante muitos anos, o trabalhador registrado em Carteira tinha direito a estabilidade no emprego. A demissão, por ato do empregador, implicava pagamento de multa ao demitido.
Isso mudou em setembro de 1966, quando a Lei 5.107 instituiu o Fundo de Garantia. A Lei tratou também de sua correção, estipulou a destinação e definiu que haveria um Conselho tripartite pra gerir o Fundo. Esse Conselho ainda existe e as Centrais Sindicais indicam, periodicamente, o seu representante.
O Artigo 3º da lei original tratava da correção monetária. Veja: “Artigo 3º - Os depósitos efetuados na forma do Artigo 2º são sujeitos à correção monetária de acordo com a legislação específica, e capitalizarão juros.”
E mais: “Artigo 4º - A capitalização dos juros dos depósitos far-se-á na seguinte progressão: - 3% durante os dois primeiros anos de permanência na mesma empresa; - 4% do terceiro ao quinto ano na mesma empresa; - 5% do sexto ao décimo ano na mesa empresa; - 6% do 11º ano em diante”.
A Lei original também dava preferência dos recursos do Fundo para a habitação popular. Na época, havia o Banco Nacional da Habitação, que foi privatizado, em 1986, no governo Sarney. Se o BNH existisse, e fosse bem gerido, teríamos hoje um déficit habitacional bem menor no País.
Multa - A lei do FGTS instituiu multa de 10% sobre o saldo, na demissão sem justa causa. Na Constituinte, após pressão do movimento sindical, conseguimos elevar a multa pra 40%. E assim permanece.
Nossa luta atual é obter justa correção ao saldo Fundo de Garantia. Teve ano em que a TR ficou em 1%, gerando prejuízo real a milhões de trabalhadores. Esperamos que o Supremo não se dobre a pressões do governo e faça justiça aos trabalhadores brasileiros.
terça-feira, 11 de maio de 2021
segunda-feira, 10 de maio de 2021
OPERAÇÃO POLICIAL MATA 25. TEM ABUSO AÍ...
As forças policiais precisam agir com rigor. Isso faz parte da própria atividade. Mas agir com violência não é, necessariamente, um procedimento rotineiro das polícias.
Por isso, causa espanto que ação da polícia civil carioca tenha matado pelo menos 25 pessoas, provocado cenas de bang-bang e aterrorizado a população.
Ninguém está aqui defendendo bandido. Mas a polícia sair numa operação, em área de moradia, e voltar com 25 cadáveres está longe de ser normal.
Isso precisa ser apurado. Com rigor!
sexta-feira, 7 de maio de 2021
HOMENAGEM MAIS QUE JUSTA!
Em razão do aniversário de 58 anos, completados dia 30, nosso Sindicato também decidiu homenagear profissionais de outros setores. Começamos quarta (5) no Hospital Carlos Chagas.
Eu e o vice Cabeça entregamos kit aos médicos Edmundo Vieira Prado Filho, Antonio Carlos Garcia e Marisa Tajiki Salles (infectologista). Eles receberam medalha, camiseta dos 58 anos e cartão especial.
Os trabalhadores da Saúde são verdadeiros heróis, que lutam dia e noite pra salvar vidas. O companheiro Cabeça pegou Covid-19, ficou internado no Carlos Chagas e foi tratado com muito profissionalismo.
Agora, entregaremos brindes a profissionais do SUS e ainda Hospital Bom Clima, Stella Maris, Pimentas-Bonsucesso e Geral. Muito justo!
quarta-feira, 5 de maio de 2021
58 ANOS METALÚRGICOS
Dia 30 de abril, nosso Sindicato completou 58 anos. Eu entrei pra categoria metalúrgica em 1984, quando o regime ainda era ditadura. Três anos depois, em 1987, passei a integrar a direção da entidade.
Este ano, devido à pandemia, não houve cerimônia presencial. Porém, os associados mais antigos não foram esquecidos. Segunda, dia 3, a diretoria começou a entregar medalhas e camisetas a esses sócios, nas fábricas ou em suas residências.
A novidade é a homenagem aos trabalhadores na saúde. Seis profissionais receberão medalha especialmente confeccionada. Dessa forma, externamos gratidão a esses homens e mulheres que colocam em risco suas vidas pra salvar as nossas.
O Sindicato recebeu Carta do presidente Jango em 30 de abril de 1963. Um ano depois, veio o golpe de Estado. A entidade sofreu intervenção e a diretoria foi cassada. Anos depois, conseguimos restabelecer a autonomia e tocar a vida adiante.
A ditadura acabou em 1985. Mas ela não trouxe só repressão. O regime adotou o arrocho salarial como política de Estado, por meio dos decretos-leis. Ao final daquele regime, a inflação corroía duramente a renda assalariada e o salário mínimo estava sem poder de compra.
Mas aquela fase terrível foi vencida e novos desafios surgiram. Um dos progressos em nossa base (cerca de 41 mil trabalhadores em Guarulhos, Arujá, Mairiporã e Santa Isabel) é a conquista de PLR. Somos um dos Sindicatos com mais acordos de Participação nos Lucros e/ou Resultados. A meta é conseguir pagamento de PLR pra 100% da categoria.
A vida sindical não para. Sexta, fazíamos aniversário. Sábado, participávamos do 1º de Maio Unitário das Centrais, com o lema Vacina pra todos; Emergencial de R$ 600,00; e Democracia. Levamos faixas aos principais viadutos na Dutra e Hélio Smith. Uma delas era bilíngue e dizia: “Bolsonaro, do as JOE BIDEN: vaccinate the people”. Ou seja: “Bolsonaro, faça como Joe Biden: vacine o povo”. O governo dos EUA, em 58 dias, vacinou 100 milhões de pessoas.
Unidade - Manter ativo um Sindicato em quase seis décadas não é fácil. Um dos segredos é a unidade da diretoria. Outro, o respeito à pluralidade de ideias. Mas só chegamos até aqui porque tivemos apoio da base. Quero também, por justiça, agradecer a imprensa, que ao longo desse período divulga as lutas e as conquistas metalúrgicas.
Vamos em frente, respeitando as gerações passadas e abrindo caminho às futuras. O metalúrgico é forte. O Brasil vencerá!









